segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Série Valores da IECLB: Comunidade

Comunidade
Comunhão inclusiva e participativa


Comunidade de Boa Vista-RR


Deus acolhe todas as pessoas por sua graça e pelo seu amor. Pelo batismo elas são incorporadas no corpo de Cristo e fazem parte da comunhão dos santos e das santas. A Palavra de Deus transformadora promove comunhão e os seus filhos e suas filhas estabelecem novas relações. Pelo Batismo as pessoas ingressam na dinâmica da graça e da fé em Jesus Cristo. A comunidade torna-se o espaço de comunhão das pessoas agraciadas. Elas criam comunidades de partilha e solidariedade.

Em meio a uma sociedade atomizada, individualista e concorrencial as pessoas evangélicas luteranas não abrem mão da dimensão comunitária da fé. A comunidade torna-se um espaço de gratuidade e nela as pessoas experimentam comunhão, perdão e solidariedade. Elas são membros participantes da multiforme graça de Deus ( e não meros clientes consumidores de bens religiosos). A comunidade torna-se um espaço privilegiado e fundamental para a alimentação da fé e também para o fortalecimento do testemunho evangélico.

A com-unidade é o espaço em que as diversas gerações são educadas na fé cristã e são capacitadas para o serviço na sociedade e no mundo. Nela e a partir dela a Palavra de Deus é anunciada e vivenciada. A participação e a comunhão na Ceia do Senhor renovam e fortalecem os filhos e filhas de Deus para o exercício do sacerdócio no seu dia-a-dia.

A comunidade torna-se lugar de acolhida de todas as pessoas, porque “é por meio da fé que todos vocês são filhos de Deus, em união com Jesus Cristo. Pois foram batizados em união com Cristo, e assim se vestiram com a pessoa do próprio Cristo. Desse modo não há diferença entre judeus e não judeus, escravos e livres, homens e mulheres: todos vocês são um só, em união com Jesus Cristo.” (Gálatas 3.28)

Pessoas, independente de sua condição ou situação, participam da vida comunitária e se organizam segundo normas e regulamentos aprovados por elas mesmas. Cultivam mecanismos que favorecem a melhor transparência possível nos aspectos financeiros e processos de planejamento e de administração.

As pessoas cristãs evangélicas luteranas reconhecem que Deus as conhece assim como elas são (Salmo 139). Elas afirmam que nada pode ficar oculto a Deus (Mateus 10.26), inclusive falhas e desvios. Isso faz com que elas confessem os seus pecados e peçam o perdão de Deus (1 João 1.8-9).

Elas enfatizam que são justas e pecadoras, ao mesmo tempo, e que carecem, continuamente, da graça e do perdão de Deus. Reconhecem que estão sujeitas à tentação de aparentar uma falsa santidade (história do fariseu e do publicano). A sua condição humana pode levar a ocultar interesses inconfessados e, assim, causar grandes prejuízos à causa de Deus e ao testemunho evangélico.

A disciplina fraterna torna-se um meio pelo qual se procura ir e vir ao encontro da necessidade de chamar atenção para falhas e erros. Por meio de diálogos e admoestações exercita-se a correção mútua com o fim de evitar que o mal se alastre no corpo eclesial e cause danos à causa de Deus.

As pessoas, seguidoras de Jesus, são chamadas luz do mundo (Mateus 5.14). São animadas a sinalizar a vontade de Deus e os valores do seu reino na sociedade e no mundo. São desafiadas a iluminar com a luz que vem de Cristo também as suas instituições e organizações, a vivenciar junto com outras denominações cristãs o amor de Deus e testemunhar a sua vontade em seu contexto de vida.


Texto extraído do Portal Luteranos
Disponível em http://www.luteranos.com.br/conteudo/comunidade

Cuidar é zelar



sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Série Valores da IECLB: Identidade

Identidade
Atualização e contextualização da herança da Reforma



Pessoas luteranas prezam a tradição cristã que se origina na Reforma do século XVI. O nome da Igreja - Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB – mostra a sua identidade de fé. O nome traduz, no contexto brasileiro, a tradição cristã que tem a sua origem no movimento reformatório protagonizado por Martim Lutero. Como Igreja, integra o corpo de Cristo e faz parte da igreja universal. O seu fundamento encontra-se no Evangelho de Jesus Cristo. O seu testemunho no Brasil se inspira nos valores evangélicos redescobertos no século XVI.

Pessoas luteranas identificadas com a IECLB entendem-se como parte da igreja universal e procuram viver com autenticidade a fé cristã. O propósito da reforma do século XVI foi o de reconduzir a Igreja a sua origem evangélica e este continua sendo um objetivo e um compromisso atual. Ser uma pessoa luterana não significa, em primeiro lugar, ter a verdade, mas, sim, buscá-la na fonte que é Jesus Cristo.

Pessoas cristãs de confissão luterana são evangélicas. E ser evangélico significa descobrir e valorizar o que Deus fez pelos seres humanos. Sua compaixão em Jesus Cristo é o centro da fé. Seu amor e perdão são essenciais na vida do cristão. Reconhecer e acolher essa dádiva leva as pessoas a uma nova dinâmica de vida. Elas assumem compromissos no seu cotidiano que espelham o amor de Deus. Tudo gira em torno da graça de Deus porque a Reforma teve início quando Lutero descobriu que Deus é misericordioso. A identidade luterana deita raízes nesta descoberta e neste reconhecimento.

Os referenciais centrais da identidade luterana são as Sagradas Escrituras, os Credos cristãos, a Confissão de Augsburgo e o Catecismo Menor de Martim Lutero.


Sagradas Escrituras


As pessoas cristãs evangélicas luteranas, pertencentes às comunidades da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), uma das igrejas-herdeiras da Reforma do século XVI, são identificadas como membros da Igreja da Palavra. Isto quer dizer que elas têm, como um de seus pilares confessionais e identitários, as Escrituras Sagradas que são a norma determinante do que é proclamado e ensinado.

Há, pois, um vínculo vital com a revelação de Deus legada pelas Escrituras Sagradas do Antigo e do Novo Testamentos. Eles contêm o testemunho dos profetas e apóstolos. Neles se encontra a voz do próprio Senhor da Igreja – Jesus Cristo.

A graça e misericórdia de Deus vem ao mundo e se revela por meio das Sagradas Escrituras. Pela ação do Espírito Santo elas se tornam palavra viva e provocam a fé nas pessoas. Toda a Escritura tem um só propósito: promover a Cristo.

As Sagradas Escrituras tornam-se para as pessoas evangélicas luteranas fonte orientadora de todo o seu testemunho e fonte inspiradora de sua prática. Elas despertam e sustentam a fé, a esperança e o amor. Tudo o que existe na igreja depende de sua autoridade ou carece de sua concordância e aprovação.


Credos cristãos


Ao longo dos séculos a Igreja cristã afirmou os conteúdos básicos de sua fé na forma de Credos. Com expressões bastante concisas, os Credos foram formulados em situações de crise e de ameaça à fé cristã.

As Igrejas da Reforma mantiveram a sua fidelidade a essas expressões de fé, dizendo-se herdeiras desta tradição. As pessoas evangélicas de confissão luterana se conectam a essa história. Assumem esta tradição e a integram em sua auto-compreensão.

Os Credos Antigos datam dos primeiros quatro séculos do cristianismo. São eles: o Credo Apostólico, o Credo Niceno-Constantinopolitano e o Credo Atanasiano.


Confissão de Augsburgo


Os cristãos defensores da reforma da igreja no século XVI formularam em uma confissão os eixos centrais em torno dos quais gira a fé cristã. Esta confissão ficou conhecida como Confissão de Augsburgo e ela é adotada hoje pela maioria das Igrejas Evangélicas Luteranas. As comunidades, que formam a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, assumiram este documento de fé como referência básica para a sua confessionalidade e identidade.

Na Confissão de Augsburgo transparecem os temas centrais da Reforma. Quando para a salvação “da alma” eram exigidas determinadas obras e rezas, peregrinações, sacrifícios e compra de indulgências, foi necessário recorrer à Bíblia e afirmar que somente Cristo é mediador e salvador. Cristo é a mensagem central da Bíblia, e a justificação do pecador se realiza somente pela graça de Deus oferecida por Cristo. E esta graça do perdão e da salvação pode ser recebida somente pela fé, não por obras e sacrifícios que nos tornassem merecedores diante de Deus. Esta fé, que recebe a graça, produz frutos de gratidão e torna a pessoa crente livre e atuante em obras de amor.


Catecismo Menor de Martim Lutero


Um desafio constante da Igreja cristã consiste na interpretação da Palavra de Deus e a sua contextualização. Martim Lutero constatou durante as suas visitações às comunidades, nos anos 1528 e 1529, que o povo cristão desconhecia os Dez Mandamentos, o Credo, o Pai-Nosso e o seu significado. Diante disso redigiu o Catecismo Menor para ser usado pelos pregadores e demais responsáveis pela educação na fé cristã. Neste Catecismo encontram-se os Dez Mandamentos, o Credo Apostólico, o Pai-Nosso, os Sacramentos do Batismo e da Santa Ceia e o Ministério da Confissão e da Absolvição.

Texto extraído do Portal Luteranos
Disponível em http://www.luteranos.com.br/conteudo/identidade

A Ceia do Senhor